Por que me tornei professor da Link School of Business: uma das faculdades mais disruptivas (e caras) do país

Aceitei o convite para lecionar na Link School of Business porque vi ali uma oportunidade de alinhar ensino prático, redes de mercado e uma cultura que estimula a experimentação — mesmo sabendo das controvérsias em torno do preço.

Escritório de coworking moderno

Ao receber o convite para integrar o corpo docente da Link School of Business, voltei mentalmente aos meus anos de graduação: momentos de dúvida, projetos que deram errado e professores que abriram portas — ou fecharam cabeças. A decisão de aceitar foi menos sobre status do que sobre propósito. Quis estar em um lugar onde eu pudesse testar abordagens de ensino que realmente aproximassem os alunos do mundo empreendedor, sem esquecer as tensões éticas de um modelo educacional caro.

Minha motivação pessoal

Como docente, procuro dois objetivos simultâneos: ensinar conhecimentos úteis e formar atitudes. No passado eu lembro de disciplinas que transmitiam fórmulas e avaliações padronizadas, mas raramente incitavam os estudantes a ousem, falhar e recomeçar. A Link apresenta um modelo centrado no aprendizado ativo — algo que sempre acreditei ser essencial para empreendedores.

Aceitar o cargo foi, portanto, uma aposta: queria contribuir para uma experiência onde o aluno tivesse contato direto com problemas reais, com feedback rápido e com um ecossistema empresarial que acelera a transformação de uma ideia em negócio. Não foi uma decisão tomada somente a partir da reputação de “disrupção”; foi uma decisão de apostar que eu poderia influenciar como essa disrupção acontece na prática.

O que torna a Link “disruptiva”?

A Link se destaca por combinar elementos que não são comuns nas faculdades tradicionais:

  • Currículo por projetos: cursos estruturados em torno de entregas reais, em que o erro e a iteração são parte do processo.
  • Conexão com mercado: parcerias com startups, aceleradoras e investidores que trazem casos reais para a sala de aula.
  • Avaliação diversa: além de provas, há entregas públicas, pitches e avaliações por pares que simulam pressões do mercado.
  • Cultura experimental: espaços e eventos que incentivam hackathons, labs e iniciativas interdisciplinares.

Esses elementos reduzem o hiato entre teoria e prática. Os estudantes não decoram modelos; eles os testam, adaptam e observam resultados num ciclo curto. Para quem deseja empreender, isso é inestimável — aprendeu-se muito mais com um protótipo que não funcionou do que com quinze aulas expositivas.

Por que a Link é cara — e como eu vejo isso

A cobrança de mensalidades altas é uma das críticas mais frequentes, e não sem razão. Há custos reais: infraestrutura moderna, contratação de profissionais do mercado como professores, manutenção de laboratórios, eventos com parceiros e programas de aceleração requerem investimento. Além disso, pagar bem docentes e mentores que vêm do mercado é essencial para garantir que a formação seja relevante.

Ainda assim, o preço levanta questões de justiça social. Uma educação que prepara para o mercado e distribui oportunidades não pode repetir desigualdades. Por isso me interessa saber como a instituição articula bolsas, programas de inclusão e parcerias que ampliem o acesso.

Na prática, a Link tem buscado formas de mitigar essa tensão:

  • Programas de bolsas e financiamentos condicionados a desempenho ou necessidade.
  • Parcerias com empresas que patrocinam projetos estudantis.
  • Iniciativas de extensão para comunidades e escolas públicas.

Essas medidas não resolvem a questão estrutural da desigualdade, mas representam um esforço real para ampliar o impacto positivo da instituição além de sua base pagante.

O que levo para a sala de aula

Meu compromisso como professor é trazer três pilares para cada disciplina:

  • Contexto real: trazer desafios que startups e empresas enfrentam hoje, não cases cristalizados de livros.
  • Metodologias ativas: utilizar sprints, testes de hipótese e métricas que forcem a validação contínua.
  • Mentoria personalizada: criar um espaço em que o estudante recebe feedback direto sobre suas escolhas, tanto estratégicas quanto comportamentais.

Além disso, procuro integrar práticas que fomentem a empatia com clientes e colegas, a capacidade de trabalhar em equipes multidisciplinares e a resiliência emocional diante do fracasso. Essas competências são tão importantes quanto o conhecimento técnico.

Desafios e críticas que enfrento

Trabalhar em uma instituição vista como elitista implica desafios constantes. Entre eles:

  • Balancear o incentivo à competição com a promoção de cooperação.
  • Evitar a mercantilização do ensino, em que resultados financeiros de curto prazo se sobreponham ao desenvolvimento humano.
  • Garantir que métodos disruptivos não se traduzam em amadorismo ou precariedade acadêmica.

Tenho discutido esses pontos com colegas e a administração. A resposta saudável é a transparência: medir impacto, publicar resultados de programas de inclusão e estar disposto a corrigir rumos quando práticas se mostram excludentes.

O que espero dos alunos

Minha expectativa é clara: quero alunos curiosos, dispostos a testar hipóteses, a ouvir críticas e a iterar rapidamente. Não busco conformidade; busco coragem para errar bem — isto é, aprender com o erro e transformá-lo em conhecimento aplicável.

Também exijo compromisso ético. O empreendedorismo pode ser um instrumento potente, mas sem critérios éticos ele pode ampliar desigualdades. Por isso faço questão de integrar debates sobre impacto social e governança nas minhas disciplinas.

Conclusão

Tornar-me professor na Link School of Business foi uma escolha de risco e responsabilidade. Risco porque me comprometi a trabalhar num ambiente que valoriza rapidez e experimentação — cenários onde falhas são visíveis e rápidas. Responsabilidade porque a instituição tem influência: forma líderes que vão atuar em mercados e em políticas públicas.

Continuo acreditando que a educação precisa ser mais prática, mais conectada ao mundo real e mais atenta ao desenvolvimento integral do estudante. Se a Link representa um caminho possível para isso, quero participar ativamente de sua evolução, cobrando sempre maior equidade e amplificando práticas que realmente transformam aprendizado em impacto.

Ser parte dessa jornada não elimina as dúvidas sobre custo e alcance, mas me dá a chance de tentar responder a elas dentro da sala de aula — através de projetos, debates e, sobretudo, do convívio com estudantes que não têm medo de experimentar.