Respeito se conquista, não se herda, diz CEO da Sumirê
Ao assumir a liderança, filha de um dos fundadores fez questão de passar pelo chão de loja. Para ela, autoridade nasce do trabalho, não do sobrenome.

A afirmação "Respeito se conquista, não se herda" resume a trajetória de uma executiva que, mesmo vindo de uma família que fundou uma rede de varejo, optou por iniciar sua carreira no ponto de vendas. A decisão não foi apenas simbólica: foi estratégica. Ao escolher aprender o negócio pelos processos diários, ela construiu credibilidade interna e externa, passo a passo.
Começar pelo básico: por que o chão de loja importa
Em ambientes familiares onde a sucessão é vista como natural, a impaciência para assumir posições de destaque pode gerar resistência entre colaboradores e stakeholders. A escolha de começar no atendimento, no estoque e nas rotinas operacionais sinaliza humildade e interesse real pelo funcionamento da empresa.
Trabalhar no chão de loja permite entender problemas que frequentemente ficam escondidos em planilhas: filas, gestão de caixa, exposição de produtos, relacionamento com franqueados e feedbacks dos clientes. Esses aprendizados práticos dão à liderança uma visão concreta dos pontos de melhoria e das oportunidades de crescimento.
Tempo e confiança: a construção de autoridade
A confiança não é obtida por nome ou posição. A conquista demanda consistência e resultados ao longo do tempo. No caso dessa CEO, foram anos atuando em funções operacionais e depois em cargos de gestão antes de assumir a direção executiva da companhia.
Dois fatores foram decisivos nesse processo:
- Resultados palpáveis: redução de perdas, aumento de vendas por metro quadrado, melhoria no índice de satisfação do cliente.
- Reconhecimento dos pares: quando colegas veem que decisões são embasadas e vantajosas para a operação, a resistência diminui.
A construção de autoridade também passou por assumir responsabilidades difíceis e, quando necessário, tomar decisões impopulares, mas necessárias para a saúde do negócio. Esse tipo de postura reforça a imagem de liderança comprometida com resultados, não com privilégios familiares.
Cultura organizacional e sucessão saudável
Empresas familiares que ignoram a necessidade de processos claros de sucessão correm risco de conflitos internos que afetam a performance. A execução de um plano de transição que inclua aprendizado em várias áreas da companhia, avaliação por métricas objetivas e formação complementar (como cursos de gestão e governança corporativa) favorece uma troca mais transparente.
No caso em pauta, a combinação entre experiência prática e formação formal ajudou a criar um discurso de legitimidade. A líder não apenas conhecia o cotidiano das lojas; soube traduzir essa experiência em propostas de melhoria e execução.
Liderança feminina em ambientes tradicionais
A posição de mulher no comando de uma grande rede de varejo traz à tona desafios adicionais: estereótipos, dúvidas sobre capacidade técnica e uma necessidade maior de demonstrar competência. A resposta da CEO foi dupla: mostrar habilidade técnica e liderar com empatia.
Liderar com empatia não significa abrir mão de firmeza, mas sim equilibrar decisões estratégicas com cuidado humano. Isso se reflete em programas de desenvolvimento para colaboradores, atenção ao clima organizacional e comunicação clara sobre objetivos.
Inovações e modernização sem romper com a essência
Assumir a liderança em uma empresa tradicional exige equilíbrio entre preservar o que funciona e inovar onde é necessário. A executiva em questão promoveu iniciativas para atualizar operações e experiência do cliente, como adoção de tecnologias de gestão, melhoria na jornada de compra e investimentos em treinamento, sempre respeitando a identidade da marca.
A mudança bem-sucedida seguiu princípios básicos:
- Diagnóstico realista: entender o que precisa mudar sem descartar acertos do passado.
- Testes em pequena escala: pilotos em algumas lojas antes de expandir projetos.
- Comunicação transparente: explicar razão das mudanças para evitar resistência.
Pessoas como diferencial competitivo
Um dos aprendizados centrais é que o diferencial no varejo é a equipe. Investir em capacitação, criar carreiras visíveis dentro da empresa e reconhecer desempenho foram medidas que ajudaram a transformar a cultura interna e reter talentos.
Além disso, o modelo de governança adotado valorizou instrumentos que profissionalizam a gestão: comitês, indicadores de desempenho e accountability clara entre as áreas. Esses mecanismos diminuem a percepção de favorecimento e reforçam a ideia de meritocracia.
Mensagens-chave para empreendedores e sucessores
A trajetória da CEO oferece lições aplicáveis a outros negócios familiares e líderes em formação:
- Respeito e autoridade vêm do zelo pelo trabalho e pela entrega de resultados.
- Conhecer a operação do chão de loja até a alta gestão constrói decisões mais embasadas.
- Transparência e processos claros reduzindo conflitos em processos de sucessão.
- Formação contínua e exposição a diferentes áreas da empresa aceleram a maturidade do gestor.
- Equilibrar tradição e inovação é fundamental para manter relevância no mercado.
Conclusão: mérito como base duradoura
No fim das contas, a história reforça a máxima de que reputação e liderança se constroem com ações constantes. A filha de um dos fundadores que decidiu passar por todas as etapas do negócio mostrou que o caminho para a confiança é ativo: envolve trabalho diário, resultados comprovados e capacidade de unir equipes em torno de um propósito comum.
Ao afirmar que "respeito se conquista, não se herda", a executiva sintetiza não apenas sua experiência pessoal, mas também uma orientação que pode servir como referência para empresas familiares e organizações que desejam uma sucessão mais justa e sólida. A legitimidade, nesse caso, vem da prática e do compromisso com o negócio — e é isso que garante sustentabilidade a longo prazo.